Molly Hatchet (1978)

Após a tragédia envolvendo o Lynyrd Skynyrd, o Molly Hatchet acabou substituindo o vazio deixado pela banda de Ronnie Van Zant

por Bento Araujo     11 set 2015

Molly hatchetO Molly Hatchet foi mais um combo sulista surgido em Jacksonville, Flórida, assim como o Lynyrd Skynyrd e o Blackfoot.

Apesar das capas da banda deixarem o pessoal do Manowar com água na boca, o som era o bom e velho boogie sulista com muitas guitarras, cortesia do trio: David Hlubek, Steve Holland e Duane Roland.

O vocalista e frontman Danny Joe Brown entrou para o grupo em 1974 e desde cedo teve uma saúde debilitada. Foi diagnosticado com diabetes aos 19 anos de idade, enquanto servia a guarda costeira. O difícil convívio com a doença, aliado à exaustão da rotina estradeira do grupo, forçaram Danny a abandonar seus comparsas em 1980, após dois álbuns bem sucedidos pela Epic/Sony: Molly Hatchet e Flirtin’ With Disaster.

O primeiro deles mesclava boogie, blues e hard rock; e afirmava que os caipiras não estavam para brincadeira, como mostram os clássicos do southern rock contidos na bolacha: “Bounty Hunter”, “Gator Country”, “Big Apple”, “The Creeper”, “The Price You Pay”, “I’ll Be Running”, “Cheatin’ Woman” e “Trust Your Old Friend”. No entanto, um dos maiores destaques da estreia era mesmo a versão de “Dreams”, do Allman Brothers Band, os pais de todo o rock sulista. Na estreia do Hatchet, a canção de sete minutos ganhava o nome de “Dreams I’ll Never See”.

O disco, homônimo, contou com a esmerada produção do experiente Tom Werman, que também deu uma força na percussão. Outro detalhe importante: Molly Hatchet, o álbum, foi disco de platina nos EUA, vendendo milhares de cópias, e trazia uma capa medieval, destoando um pouco do estilo country das bandas sulistas. A arte gráfica ficava por conta do genial Frank Frazetta, cuja pintura “Death Dealer” ilustrava a primeira aventura fonográfica o Hatchet. Telas de Frazetta foram também utilizadas por diversos grupos de rock, como o Dust, Nazareth, e mais recentemente, o Wolfmother.

Nos primeiros anos do Molly Hatchet, a conexão com o Lynyrd Skynyrd era total. Apadrinhados pelo líder do Skynyrd, Mr. Ronnie Van Zant, o Molly Hatchet gravou sua primeira demo no estúdio particular de oito pistas do Skynyrd, usando inclusive o mesmo equipamento deles. Van Zant ajudou nos primeiros ensaios, dando uma forcinha nos arranjos e deixando a banda redonda para a gravação de seu primeiro álbum. Infelizmente o vocalista morreu em outubro de 1977, e acabou não produzindo este primeiro álbum do Molly Hatchet, cotado para ser a primeira produção do legendário vocalista fora do seio do Lynyrd Skynyrd.

Após a tragédia envolvendo o Lynyrd Skynyrd, o Molly Hatchet acabou substituindo o vazio deixado pela banda de Ronnie Van Zant. Era como se o bastão continuasse sendo levado adiante, daí o sucesso estrondoso do Molly Hatchet no final da década de 1970.

Muito desse prestígio acabou vindo das extensas e selvagens tours que o grupo promovia pelo Sul do país, tocando em qualquer espelunca que aparecesse pela frente. O som era redondo, as guitarras afiadas e a presença de palco pra lá de imponente.

Nesse clima eles soltariam, no ano seguinte, outro álbum essencial do estilo; Flirtin’ with Disaster, novamente com produção de Tom Werman e capa de autoria de Frank Frazetta.

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