Bröselmaschine

Bröselmaschine, o disco lançado pelo grupo de mesmo nome, em 1971, é, sem dúvida, um dos grandes álbuns de folk rock lançado fora das fronteiras da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda

por Bento Araujo     07 jun 2016

broeselmaschine

Bröselmaschine, o disco lançado pelo grupo de mesmo nome, em 1971, é, sem dúvida, um dos grandes álbuns de folk rock lançado fora das fronteiras da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda. Se esse quarteto tivesse saído da Escócia e gravado por um selo cultuado como Vertigo, Harvest, Dawn, Charisma, Island ou Dandelion, a história teria sido diferente. É aquele típico álbum com belas composições, excelentes climas e uma capa bem interessante.

Infelizmente, a estampa alemã Pilz não tinha a mesma estrutura de promoção, ou a mesma grana, dos selos britânicos. O disco, então, sequer chegou ao seu público alvo, que era a garotada que apreciava o folk norte-americano de Dylan, Phil Ochs e Joni Mitchell – as mesmas influências do líder do Bröselmaschine – Peter Bursch.

Peter vivia como muitos jovens músicos alemães do período: morava numa comunidade hippie, apreciava música e arte e passava a maior parte do tempo tocando seu violão. Essa fase de aprendizado e inspiração foi crucial nas composições do primeiro disco de sua banda, amplamente calcado em seu violão. Flautas, cítara, tablas e outros instrumentos do oriente somavam às músicas, todas produzidas pelo mais respeitado produtor local dos anos 70: Dieter Dierks. O som, no geral, é cristalino e envolvente. “Schmetterling”, a única cantada em alemão do álbum, lembra Led Zeppelin, ou melhor, Bert Jansch e Davey Graham.

Quando o disco não deu em nada, os integrantes do grupo se mandaram para a Índia, ou mesmo para o interior da Alemanha, almejando uma vida simples no campo.

Depois de cinco anos, Peter Bursch trouxe seu projeto de volta à ativa, contando com o apadrinhamento de Conny Plank na produção e de canjas de músicos do Guru Guru e Kraan. Foi assim que, em 1976, saiu o álbum Peter Bursch Und Die Bröselmaschine, mais focado em improvisos do que em composições.

A partir de então, o Bröselmaschine tornava-se um mero grupo suporte para os voos de Peter Bursch, que nessa onda lançou mais alguns álbuns em 1978 e 1985. Os discos serviam apenas para amenizar os anseios artísticos do chefão, já que seu ganha pão era, na verdade, alguns livros com tablaturas e partituras para violão que ele lançava. Em 2006, uma última reunião do Bröselmaschine foi apropriadamente registrada em DVD.

Artigo originalmente publicado na pZ 53

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