poeiraCast 360 – O rock está mesmo em baixa?
por Bento Araujo     21 mar 2018

É a discussão a que o rock está acostumado desde o início de sua existência. Mas os números vindos dos principais fabricantes de guitarras (especialmente da Gibson) e das próprias listas de mais vendidos/tocados mantêm a pergunta sempre em pauta: o rock está em baixa? Morreu para o mercado?

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  1. Juliano Beltrame

    Acho que o rock, enquanto produto de massa, está realmente em baixa, mas não me importo muito com isso.

    Claro, acharia ótimos que grandes artistas de rock da atualidade (King Gizzard & Lizard Wizard, Thee Oh Sees, Ty Seagall, Converge, Old Man Gloom, The War On Drugs, Courtney Barnett, Deaftheaven, Swans, Foxygen, Father John Misty, Idylls, Moon Duo, Protomartyr, só para citar alguns) fizessem maior sucesso, mas como ouvinte, me coloco mais como defensor da música do que de qualquer gênero.

    Como foi levantando em certo ponto do programa, prefiro ouvir artistas de rap criativos (Death Grips, Big K.R.I.T., Dälek, Miles Mosley, Tyler The Creator), ou de qualquer outro gênero, que bandas medíocres de rock. Alias, se tem uma coisa que acho um saco é rock pastiche setentista.

    Tudo isso para dizer que, assim como os artistas legais de rock estão em baixa, acho que o mesmo vale para o artistas legais de pop, rap, música brasileira, jazz, música eletrônica e tantos outros estilos. Acho que era o mercado que fazia com que o rock parecesse mais criativo e, com a queda das grandes gravadoras, a criatividade se mantém, apenas o alcance que não.

    E só pra jogar pimenta neste caldo, devo dizer que trabalho num estúdio de gravação e vejo uma galera de rock careta (não só no aspecto comportamental, mas artístico, querendo repetir fórmulas) enquanto uma molecada do trap e, juro, até mesmo do funk (sim, o carioca), querendo ousar, não obedecer estruturas. Não vou começar a ouvir funk carioca por conta disso (embora não veja problema, só não é minha onda), mas juro que levanta meu astral trabalhar com essa galera mais nova.

    Escrevo isso enquanto o José Damiano diz que quer o rock na Globo. Eu diria mais: eu gostaria é de acabar com a concessão da Rede Globo. Hahaha! Se for para depender da presença do Capital Inicial na Globo para legitimar a popularidade do estilo, eu sou mais sua “decadência”. Agora, se fosse para ter um programa no estilo do Jools Holland com diversidade de estilos (e não apensas levantando a bandeira do rock), com Metá Metá, MC Carol, Douglas Germano, Far From Alaska, Baco Exu do Blues… dando espaço para todos, goste do som ou não, eu acharia ótimo. Mas convenhamos, é completamente improvável. O que vemos na grande mídia é o monopólio de estilos, o que é muito pior que os estilos em si.

    Sei lá, não sei fui claro. Hahaha! Abraços.

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  2. Marco Antonio Bruno Lopes

    Boa noite, pessoal!
    Espero que, da mesma maneira que vocês corrigiram a “lacuna” de nunca ter feito um Poeira Cast exclusivo sobre a trajetória do Deep Purple, façam o mesmo com o Emerson, Lake & Palmer. Mesmo que todos os quatro integrantes deste podcast já tenham deixado claro que não gostam do grupo, não há como negar sua importância histórica na cena rock e em especial na cena prog rock. Afinal, outras bandas contemporâneas como Yes, Genesis, King Crimson, Gentle Giant, Van der Graaf Generator, Pink Floyd, Soft Machine e toda cena de Canterbury tiveram sua vez, porque não o ELP?

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  3. André Luiz

    Muito bom o programa e acho que a musica – não só o Rock -não está entre as prioridades de um garoto hoje e está competindo com games, internet e tecnologia que são hoje em dia mercados mais interessantes para a garotada.
    Em relação à Gibson, acho que a mistica que havia em relação aos músicos (não só os guitarristas) não existe mais hoje em dia como foi nos anos 1960, 1970 e 1980. Chega a ser surpreendente que nos 1970 nomes do Fusion como Jean-Luc Ponty, Stanley Clarke, George Duke, Jaco Pastorius, George Benson e Eumir Deodato chegaram a ser Pop Stars nos anos 1970.

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  4. André Luiz

    Muito bom o programa e acho que a musica – não só o Rock -não está entre as prioridades de um garoto hoje e está competindo com games, internet e tecnologia que são hoje em dia mercados mais interessantes para a garotada.
    Em relação à Gibson, acho que a mistica que havia em relação aos músicos (não só os guitarristas) não existe mais hoje em dia como foi nos anos 1960, 1970 e 1980. Chega a ser surpreendente que nos 1970 nomes do Fusion como Jean-Luc Ponty, Stanley Clarke, George Duke, JacoPastorius, George Benson e Eumir Deodato chegaram a ser Pop Stars nos anos 1970.

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  5. Marcio Abbês

    Nunca deixo de escutar o poeiraCast. Adorei o tema, apesar de sentir um pouco de tristeza com a constatação de que o rock está realmente em baixa. Acredito na volta do estilo com uma certa força. O rock sempre sobreviveu. Sou a favor da grande indústria musical. Acho importante a existência de bandas cover, meninos que compram uma Gibson e não tocam nada e compradores eventuais de CDs e DVDs. No meio do piscinão, surgem os grandes talentos. Assim como o Sergio falou, tive uma turma no colégio também: 10 pessoas no máximo, incluindo o Roberto Ly (ex-Herva Doce) e o Victor Biglione. Dancei muito com a era Disco. E o rock sobreviveu. Fui a uma rave com o meu filho. Dancei das 23:00 h às 7:00 h. E o rock vai sobreviver (risos). Abração a todos!

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  6. André Luiz

    Os 2 últimos hits do Rock Nacional depois dos Mamonas que tiveram impacto no grande publico independente de faixa etária e classe social foram “Mulher de Fases” dos Raimundos e “Ana Julia” dos Los Hermanos em 1999.

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  7. Bruno Assis

    Sobre o Cachorro Grande, assisti a um show com 30 pessoas no Imperator há um ano atrás.
    O detalhe é que já estavam há tempos sem fazer show aqui no Rio. Me surpreendi com um show muito “setentista”, sem pressa alguma de terminar as músicas e uma performance muito boa de todos, mas público que é bom… nada.

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  8. Eric Freitas

    Em relação ao que foi dito sobre a decadência do rock, principalmente o que foi dito pelo José que em 50 anos vivendo isso jamais viu o estilo tão em baixa e em carência de coisas novas de qualidade (exceto se sairmos a caça de bandas perdidas nos ditos barzinhos), posso acrescentar o que eu e muitos amigos de mesma faixa etária, que começamos no rock no início dos anos 80 movidos principalmente pelo metal, estarmos buscando conhecer coisas novas “voltando no tempo” e não em novos lançamentos. O excesso de ofertas da internet atual atrapalha a cabeça dos mais novos, pois é uma avalanche de bandas e informações, onde bandas maravilhosas se misturam a mediocridade de tantas outras, mas para quem já tem um alicerce é um deleite.

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