Cinco anos sem Ronnie James Dio

Relembre a passagem do imortal vocalista pelo ELF lendo um trecho da nossa edição especial sobre ele

por Bento Araujo     15 maio 2015

“The Biggest Little Band In The Land”

Foi com essa frase acima que o ELF chegou no mundo do rock pesado em 1972. Ela foi usada no cartaz de divulgação da turnê que eles estavam abrindo para o Deep Purple, a banda que apadrinhou e apresentou o ELF à cena da época. Ronnie James Dio achava finalmente seu nicho e deixava o contrabaixo de lado para se dedicar completamente aos vocais.

ELF

“As pessoas não sabiam o que esperar da gente. Éramos muito baixos em estatura, então bastava entrar no palco pra todo mundo começar a dar risada da nossa cara. Mas isso durava apenas alguns segundos; era só a gente começar a tocar para explodir a cabeça de todo mundo com a nossa força.”

Ronnie James Dio, seu primo David Feinstein, e os demais integrantes do grupo sempre sofreram com as gozações, e foi aproveitando delas que resolveram adotar o nome The Electric Elves, em 1968, uma alusão aos elfos, pequenas criaturas místicas da Mitologia Nórdica, que aparecem também com frequência na literatura medieval européia.

Logo o grupo abreviou seu nome apenas para The Elves, e faziam a vida se apresentando em barzinhos e colégios, e tocavam muitos covers, levando ao público material fresquinho de bandas como Beatles e The Who. Curioso inclusive que os Elves apresentaram ao vivo um segmento de 25 minutos da ópera rock Tommy do Who em seus shows, apenas alguns dias após o lançamento oficial do elepê da banda britânica. Por volta de 1969 e 1970 o grupo de RJD produziu vários compactos demos, mas nunca pintava um bom contrato na parada.

Foi somente em 1972 que a sorte começou a bater na porta do conjunto, agora batizado como ELF. Em janeiro daquele ano o grupo estava fazendo uma audição para a Columbia Records num bar, em Nova York, e pra sorte deles, Roger Glover e Ian Paice do Deep Purple estavam presentes na ocasião e ficaram impressionados, principalmente com a voz daquele cara baixinho chamado Ronnie James Dio: “Eu e Paice ficamos impressionados; era tudo tão cru e excitante. Era impossível de acreditar como um som tão poderoso como aquele surgia de pessoas tão frágeis e miúdas. O piano boogie de Mickey Lee Soule dava um molho todo especial no som deles, e Ronnie tinha a mais bela voz que eu já tinha ouvido na vida. Além disso, a banda contava com uma forte parceria nas composições,” relatou um empolgado Roger Glover anos depois.

Dio começava a se sobressair também como compositor. O mais interessante é que sua maior inspiração vinha do mundo dos esportes: “Escrevi as minha melhores canções assistindo esporte na TV: futebol americano, basquete, baseball; tudo o que não tem nada a ver com música. É algo que me fascina e prende demais a minha atenção; assisto de tudo, desde ping-pong até alguém arremessando cadeiras. É muito esquisito, sento para compor e gravar alguma ideia quando estou de férias em casa, e casualmente nada parece surgir. Basta eu deixar a música de lado e passar um dia assistindo TV que a inspiração aparece. Gosto de comparar uma banda a um time de futebol: o guitarrista e o vocalista são os atacantes, o baterista e o baixista formam a defesa, e os teclados são o meio de campo.”

ELF LabelGlover e Paice se dispuseram a produzir o primeiro disco do ELF, então rapidamente todo mundo se mandou para o Studio One, localizado em Atlanta, Georgia, para gravar o álbum de estreia, batizado simplesmente de ELF, e lançado pela Epic apenas nos EUA.

Nessa época a formação do grupo consistia em Ronnie James Dio (vocal/baixo), Gary Driscoll (bateria), David Feinstein (guitarra) e Mickey Lee Soule (teclados). O disco passou batido e as vendas foram bem tímidas, no entanto, as coisas começavam a acontecer para o grupo, principalmente quando começaram a abrir shows de várias turnês norte-americanas do Deep Purple, que aconteceram entre agosto e dezembro de 1972. Nesse interim, duas mudanças fundamentais: David Feinstein deixou seu posto de guitarrista para Steve Edwards; e Dio passou o baixo para Craig Gruber, concentrando-se assim mais no vocal. Continuam na estrada, abrindo para Uriah Heep, Manfred Mann e Fleetwood Mac.

Em 1973 a banda descolou dois novos contratos, um com a MGM Records nos EUA e outro com a Purple Records no Reino Unido. É lá inclusive que gravam o próximo álbum, Carolina County Ball, novamente produzido por Roger Glover, que até fez backing vocal numa faixa. Nos EUA o disco saiu com capa e nome diferente: L.A. ‘59. O disco foi lançado em abril de 1974, com o ELF se mandando para a estrada, novamente abrindo para o Deep Purple, dessa vez passando por todo o Reino Unido.

Para a projeção do grupo foi ótimo, pois ficaram dois meses em tour, mostrando seu som atraente (um boogie pesado meio caipira, que deixava os britânicos enlouquecidos), e aprendendo todos os macetes de palco do experiente Purple. Nessa época, Roger Glover aproveita para convidar Dio e o tecladista Mickey Lee Soule para participarem de seu novo projeto, o álbum Butterfly Ball And The Grasshopper’s Feast, baseado numa história infantil e com ilustres convidados.

No segundo semestre de 1974, mais shows com o Purple, mas agora no escaldante verão norte-americano, ou seja, jogando “em casa”. Destacam-se os shows do Cobo Hall, em Detroit, e o do Dillon Stadium, em Connecticut, onde o Aerosmith, em pleno início de carreira, abre para o ELF e para o Deep Purple.

Durante essas tours, Ritchie Blackmore cresce o olho pra cima de Dio e lhe convida, assim como todo o ELF, para gravar um compacto com uma versão para a canção “Black Sheep Of The Family”, que havia sido rejeitada pelo Purple.

Começava então a parceria que levaria Dio ao estrelato, mas que acabaria também com a carreira do ELF. Ronnie e o ELF passavam a ser a banda de apoio da “carreira-solo” de Blackmore, que logo se tornaria o Rainbow.

ELFNo início de 1975 o ELF volta a se reunir na Inglaterra para gravar seu terceiro e derradeiro álbum, novamente produzido por Roger Glover: Trying To Burn The Sun, com Mark Nauseef na bateria. Blackmore supervisionou as gravações, mas não tocou no disco, ao contrário dos muitos rumores que surgiram na época. Talvez isso tenha acontecido graças ao som mais direto e pesado do trabalho, principalmente em comparação com os dois anteriores. Antes de Trying To Burn The Sun ser lançado, a banda já não existia mais. Até alguns rumores sobre um quarto álbum do grupo, ao vivo e intitulado ELF Live, pipocaram no período, mas nada saiu do papel. O que se sabe é que o batera Mark Nauseef e o guitarrista Steve Edwards foram demitidos.

Ronnie James Dio, Gary Driscoll, Craig Gruber e Mickey Lee Soule estavam no Ritchie Blackmore’s Rainbow, que lançou seu disco homônimo em agosto de 1975.
Foi nessa época que Ronnie Dio resolveu adotar o “James” em seu nome artístico a partir de uma sugestão de Blackmore: “Ritchie me perguntou qual era o meu nome do meio. E eu disse que era ‘James’, então ele falou: ‘Quando você faz uma mudança em seu nome, o número de letras envolvidas também muda e isso pode trazer uma mudança boa para o seu futuro’. Eu disse: ‘Ok, sem problemas, a partir de agora então eu me chamo Ronnie James Dio.’”

Trying To Burn The Sun ficou engavetado por vários meses na Inglaterra, para não ter seu lançamento coincidindo com o do álbum de Blackmore… Era o fim do ELF e consequentemente o fim também da inocência de Ronnie James Dio…

pzesp3Artigo originalmente publicado em nossa edição especial sobre Ronnie James Dio.

Veja mais sobre essa edição AQUI.

  1. walter carvalho

    O Elf não era uma banda muito legal, na época, lembro que comprei o lp importado, mas não gostei muito e o vendi alguns anos depois, já o Rainbow sim, um belíssima banda hard-rock..

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