Badlands (1989)

Lançado em maio de 1989, Badlands é um marco do rock pesado da década de 80, mas que inexplicavelmente continua subestimado até hoje

por Bento Araujo     11 maio 2016

BadlandsEntusiastas das grandes bandas de rock dos anos 70, os quatro talentosos integrantes do Badlands tentaram trazer um pouco de musicalidade e competência à cena do hair/glam metal do final dos anos 80. Infelizmente os egos falaram mais alto e o grupo durou menos que cinco anos.

A História

O experiente quarteto se reuniu em 1988 debaixo de uma louvável proposta: praticar rock pesado tendo o blues e a música negra norte-americana como referência, como haviam feito Led Zeppelin, Cactus, Grand Funk Railroad, Free e Humble Pie. Depois de ter sido demitido da banda de Ozzy Osbourne, o guitarrista Jake E. Lee procurou dois ex-integrantes do Black Sabbath: o vocalista Ray Gillen e o baterista Eric Singer. Para o baixo, veio Greg Chaisson, que Lee havia conhecido durante sua audição para o grupo de Ozzy. O “supergrupo”, então, foi contratado pela Atlantic, que em 1989 lançou este álbum de estreia do conjunto.

A Capa
O Badlands nadava contra a maré em 1989. Enquanto grupos como Guns N’ Roses, Mötley Crüe, The Cult, Whitesnake, Bon Jovi, Kiss e Skid Row apostavam no batom e nos laquês, o Badlands posava para a capa de seu primeiro disco trajando apenas jeans e couro. A foto, sem muita produção, ainda era P&B, o que contrastava bastante com as demais capas bem coloridas do período.

Cinco Fatos
1) Assim como a capa, a produção de Badlands foi atípica com aquela utilizada na época de seu lançamento. Tudo é simples e direto, sem mirabolantes efeitos de estúdio.

2) Apesar de inúmeras referências, o Led Zeppelin é a maior influência do Badlands. Ray Gillen capricha nos tons altos, no melhor estilo Robert Plant. É latente também a influência de Jimmy Page em temas como “Seasons” e “Winter’s Call”.

3) Duas faixas do álbum, “Dreams in the Dark” e “Winter’s Call”, viraram singles e ganharam clipes que passaram bastante na época, inclusive no início da MTV Brasil.

4) Lançado originalmente em LP e CD, em 1989, Badlands ganhou uma faixa bônus somente na edição digital, “Ball & Chain”. Na época, as gravadoras estavam priorizando a venda de CDs em relação aos LPs. Na versão em vinil, os lados eram divididos como East Side e West Side.

5) O produtor do disco e guru do grupo, Paul O’Neill, havia trabalhado com o Savatage, onde conheceu Ray Gillen, que deu uma canja na faixa “Strange Wings”, contida em Hall of the Mountain King (1987). De alguns anos pra cá, Paul é o sujeito por detrás do multimilionário projeto Trans-Siberian Orchestra.

O que foi dito na época
“O hard rock norte-americano tem sido sinônimo de festa, mas com o Badlands é diferente. Com este primeiro disco, parece que a única preocupação deles é a música bem criada e executada. Nada de pose, apenas boas composições, excelentes solos de Jake E. Lee e a voz sempre impecável de Ray Gillen. O grupo tem tudo para estourar, principalmente no Japão”.
Kerrang!, julho de 1989

O que dizemos hoje
Lançado em maio de 1989, Badlands é um marco do rock pesado da década de 80, mas que inexplicavelmente continua subestimado até hoje. Aqui eles misturam rock pesado com blues e folk, como na dobradinha no melhor estilo Led Zeppelin “Jade’s Song”/”Winter’s Call”. A melódica “Dreams in the Dark” deve ter deixado David Coverdale preocupado, e a pesada e extremamente convincente abertura com “High Wire” deixava claro os intuitos do grupo: ser um nome diferenciado na cena do hair metal. Ao vivo, o Badlands executava material do disco e covers para sons de Grand Funk, Cactus, Humple Pie e Free.

Nas próprias palavras
“Pena que esse disco não deu certo e que a banda não foi muito longe. Eu não sou o David Lee Roth, mas posso cantar muito melhor do que ele. Mas Jake não conseguiu tomar o lugar de Eddie Van Halen, pois se ele tivesse feito isso, teríamos criado excelentes composições juntos”.
Ray Gillen (Kerrang!, julho de 1993)

As consequências

Infelizmente, o disco não foi um sucesso de vendas. O primeiro a debandar do grupo foi Eric Singer, que foi tocar com Alice Cooper e depois no Kiss. Em seu lugar pintou Jeff Martin, que era, na verdade, vocalista do Racer X, grupo que revelou ao mundo os talentos de Paul Gilbert e Scott Travis. Com Martin, o Badlands lançou outro grande trabalho, Voodoo Highway (1991), que infelizmente também fracassou comercialmente. A Atlantic começou a pressionar o grupo, exigindo hits e até mesmo a contratação do produtor e hitmaker Desmond Child, o que a banda negou. Dispensados pela gravadora, a coisa piorou quando Gillen e Lee interromperam um show em Londres para bater boca no palco, na frente do público, tudo em razão de um artigo publicado na revista Kerrang!. Gillen foi demitido e Lee tentou continuar com outros vocalistas, mas o ano de 1993 marcou o fim do grupo e a morte prematura de Gillen, vítima de AIDS. Em 1998, foi lançado no Japão, um disco póstumo com sobras de estúdio: Dusk.

Indicado para apreciadores de:
Led Zeppelin, Cactus, Grand Funk Railroad, Humple Pie, Whitesnake, Van Halen, Black Sabbath, Kiss, Aerosmith, The Amboy Dukes, Montrose.

Os Detalhes

Gravado em: fevereiro de 1989
Data de lançamento: 11 de maio de 1989
Selo: Atlantic
Duração: 49:33
Produtor: Paul O’Neill
Músicos: Ray Gillen (vocal), Jake E. Lee
(guitarra, teclados), Greg Chaisson (baixo)
e Eric Singer (bateria)

Singles
“Dreams in the Dark” / “Winter’s Call”.

Tracklist
“High Wire”, “Dreams in the Dark”, “Jade’s Song”, “Winter’s Call”, “Dancing on the Edge”, “Streets Cry Freedom”, “Hard Driver”, “Rumblin’ Train”, “Devil’s Stomp”, “Seasons”. “Ball & Chain” (bônus apenas na edição em CD).

Artigo originalmente publicado na pZ 65

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