A dose de mamute do Yes

Tales From Topographic Oceans, o excesso dos excessos que nem os próprios integrantes do Yes conseguem digerir

por Lucas Lazarotto     22 ago 2014

Tales From Topographic OceansEu adoro rock progressivo. Como todo amante do gênero, passei anos e anos escutando os gigantes (Genesis, Floyd, Yes, ELP) e também os não tão falados mas igualmente gigantes ao meu ver (Crimson, Giant, VdGG, PFM, Can etc.).

Mesmo sendo um grande apreciador do Yes, um álbum que sempre me soou indigesto é Tales From Topographic Oceans, o ápice do exagero sem noção do estilo. Apesar de muitos fãs do grupo levarem a sério essa baboseira, os próprios integrantes assumem que foram longe demais em Tales From Topographic Oceans. Na edição mais recente da publicação britânica Uncut, membros do Yes fizeram as seguintes declarações sobre o álbum:

Alan White: “Passamos seis meses em estúdio. Jon Anderson estava gravando sua voz e disse: ‘Não está soando tão bem como na minha casa. No meu banheiro soa tão bem…’. Então os roadies construíram uma réplica do banheiro de Jon no estúdio, com chuveiro e tudo. E ali ele gravou seus vocais. Jon era mágico ao explicar exatamente o que desejava. Às vezes ele pedia um pouco de poeira dourada num trecho, ou prateada em outro, e o engenheiro de som tinha que decifrar o que ele estava querendo”.

Jon Anderson: “Eu queria gravar aquele disco no campo, numa tenda, com um gerador. Tudo para captar os pássaros, o vento e os sons da Terra. Todos acharam que eu era louco, então eu levei para o estúdio alguns recortes de vacas, ovelhas, árvores e plantas – tudo para fazer com que aquele local não se parecesse com um estúdio”.

Chris Squire: “Gravamos e editamos várias sessões, em dias diferentes, esperando depois juntar tudo e esperar que aquilo fizesse algum sentido. Não vou afirmar que tínhamos uma visão clara do que desejávamos e isso ficou evidente no disco. Se queríamos emular o lado mais pop do Yes, não deveríamos ter criado algo tão longo”.

Com suas quatro faixas, cada uma tomando um lado inteiro do LP duplo original, Tales From Topographic Oceans foi o disco do Yes que pior envelheceu. Situado entre o fulminante Close To The Edge e o furioso Relayer, Tales From Topographic Oceans é uma baleia branca encalhada num banco de areia qualquer de um gigantesco oceano progressivo. Quem conseguir atravessar esses quatro mares, numa nadada só, merece uma medalha… Prateada ou dourada, como os desejos de Jon Anderson.

 

 

 

  1. Felipe

    Excelente. Eu também considero o “Tales…” um grande exagero. Sim, o disco tem momentos bonitos e que valem a pena. Mas no geral é preciso uma paciência inexistente pra conseguir ouvir tudo de uma vez.

    Eu amo Yes, mas não consigo ouvir esse disco inteiro. The Revealing Science of God tem muitos trechos bonitos, e é minha preferida do álbum. Mas quando ela termina eu já estou exausto e troco de disco.

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  2. Nico Pereira de Queiroz

    Para começar, se o Lucas chama uma obra do YES de “baboseira”, ele que não espere que eu continue lendo seu texto.
    Respeito é bom e a Música agradece.
    Além disso, eu, enquanto jornalista, nunca perdi tempo escrevendo sobre um trabalho que considerasse ruim.
    Eu gosto muito desse disco, mesmo que só o Anderson e o Howe gostem.
    Para finalizar, vá ouvir Luan Santana, véio, que deve seu sua praia…

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  3. Paulo Potiguara

    Tenho “TIME AND A WORD”, “THE YES ALBUM”, “CLOSE TO THE EDGE”, “FRAGILE” e “RELAYER” e acho que não precisa muito mais para saber e curtir a qualidade extraordinária da banda.

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  4. Banda KLATU

    Excelente texto! Realmente, é preciso cuidado com o parnasianismo do prog 70….não necessariamente complicado = complexo, e não necessariamente complexo = bom!
    rock infinito!

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  5. Samuel

    Acho o disco maçante… Tenho todos do Yes, e este é sem sobra de dúvida o que menos ouvi, mas ainda acho uma obra prima, como todos do Yes até o Drama…

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